quarta-feira, 28 de setembro de 2016

RUNNING WILD - The Brotherhood (2002)

É muito difícil fazer uma resenha sobre a banda que mais gosta porque, como fã, todos os álbuns são maravilhosos e merecem sempre a nota máxima.

Conheci o Running Wild na Galeria do Rock quando ia para mais um dia de trabalho na loja Burn, e topei com o meu amigo Castor (baixista do Torture Squad) ouvindo a faixa Under Jolly Roger. Fiquei maravilhado, principalmente pelo som dos canhões antes do refrão, e naquele mesmo dia fui correndo comprar uma caixa de fitas K-7 na hora do almoço para gravar aquele disco e outros CDs.
Um mês depois me deparo com uma promoção de discos sem capa – apenas a bolacha no plástico – na Woodstock Discos, do meu querido Walcir Chalas. Levei dois, o Arrggghhh do Voivod e o Gates To Purgatory do Running Wild. Pronto!
A partir daquele momento, meu coração era da pirataria, sendo fã incondicional até hoje desse patrimônio alemão. Um exemplo é a página Running Wild Brasil no Facebook, criada por mim para homenagear esse grande ícone do Metal. Bom, após essa introdução vamos ao que interessa.

“The Brotherhood” (2002) é o décimo segundo álbum da banda e ele prima por músicas que se misturam num estilo entre o Hard Rock e Heavy Metal, e o ponto fraco dele é a bateria eletrônica, iniciada no álbum anterior, “Victory”, e que deixou algumas músicas com um andamento um pouco maçante:

Welcome To Hell
Abre com estardalhaço e mantém o pique Heavy Metal do começo do álbum com palhetadas vigorosas.
Soustrippers
Tem um refrão que gruda na mente e o que a sustenta são as guitarras principalmente na parte dedilhada.
The Brotherhood
A faixa-título se inicia com uma linda e simples introdução de cravo culminando em um sentimento épico traduzido nas notas da guitarra do Capitão Rolf. O refrão é no estilo “unidos venceremos” com solos à la Iron Maiden.
Crossfire
Bem Hard Rock e que faz lembrar um pouco o Thin Lizzy. Outro refrão que gruda na mente.
Siberian Winter
Excelente faixa instrumental. O título dela faz jus ao som porque parece que somos transportados para o inverno siberiano.
Detonator
Talvez a mais fraca do álbum. Senti uma falta de maior inspiração nessa faixa apesar do baixo mantê-la viva. Como disse no começo da resenha, o maior pecado foi a introdução de uma bateria eletrônica e isso reflete muito na música deixando-a sem alma.
Pirate Song
Simples e direta, e sem querer soar redundante, a faixa realmente tem aquela sensação de pirataria no ar, ou melhor, em alto-mar. Com mil tubarões, “Pirate Song” é uma ótima pedida para começar o desjejum seus cães vadios!
Unation
Outra faixa de acento mais Hard e com uma melodia carismática e emotiva. O refrão também é no melhor estilo “unidos venceremos”.
Dr. Horror
Gosto muito do pique dessa faixa. O ritmo empregado pelas guitarras e a forma como Rock’n’Rolf canta fazem dessa música a melhor do disco. É bem simples e até mesmo básica mas com uma dose de groove e criatividade a coisa pode sair muito bem. Heavy Metal dos bons para balançar a cabeleira.
The Ghost
Essa música foi inspirada no aclamado filme Lawrence da Arabia, com Omar Shariff e Peter O’Toole, e cujo argumento baseia-se na biografia de T.E. Lawrence (1888–1935) descrita no seu livro Sete Pilares da Sabedoria. O filme explora a excentricidade e a personalidade enigmática de Lawrence. Musicalmente falando, a faixa se destaca com uma introdução bem oriental, e ao longo de seus mais de 10 minutos temos a real sensação de sermos transportados para as Arábias graças à criatividade e a habilidade de Rock’n’Rolf em passar essa sensação através das notas de sua guitarra.
Powerride
Heavy Metal puro sem firulas, e antes do solo lembra um pouco a faixa “You’ve Got Another Thing Comin'” do Judas Priest. Parece até uma sobra do “Victory”.
Faceless
O álbum finaliza com mais uma faixa de Metal puro no melhor estilo Running Wild.

Running Wild prima por canções que na maioria delas são bem similares, apesar de que isso não é demérito nenhum – mais que isso, a banda entra no rol de grupos como AC/DC e Motörhead, que priorizam o seguinte lema “menos é mais”.
“The Brotherhood” não chega a ficar no mesmo patamar dos maiores discos da banda, mesmo assim empolga e mantém a força desse verdadeiro ícone mundial do Heavy Metal. Tally-ho!!!!

Formação:
Rolf Kasparek (vocais, guitarras);
Peter Pichl (baixo);
Angelo Sasso (bateria).

Faixas:
01 – Welcome To Hell
02 – Soulstrippers
03 – The Brotherhood
04 – Crossfire
05 – Siberian Winter
06 – Detonator
07 – Pirate Song
08 – Unation
09 – Dr. Horror
10 – The Ghost
11 – Powerride (Bonus Track)
12 – Faceless (Bonus Track)